A ANTI-DEMOCRÁTICA LUTA POLÍTICA DO CAPITAL CONTRA O TRABALHO NO BRASIL, EM TRÊS TEMPOS

I.º A Era Vargas, o Trabalhismo, e seu Legado de Campeões do Voto

II.º Anti-trabalhistas sem Voto mas com o Governo... Tomado de Assalto a Mão Armada!

III.º Anti-trabalhistas Desarmados... mas com Muito Capital!

A deposição do presidente Vargas pelos comandantes das Forças Armadas em 1945 encerrava o ciclo do lider da Revolução de 30, do criador das leis de proteção ao Trabalho no Brasil. Aquele familiar retrato presidencial é retirado de todas as repartições públicas. Nas eleições que se seguem, disputam 2 militares que atuaram na deposição de Vargas. Este apóia o seu ex-ministro da Guerra, o general Dutra, que facilmente ganha a eleição do brigadeiro Eduardo Gomes, de perfil mais anti-trabalhista e americanista.

Dutra fez um governo americanista, anti-trabalhista, anti-esquerdista, e nas eleições que se seguem Vargas tem uma vitória consagradora, contra o mesmo brigadeiro Eduardo Gomes. Em seu discurso de posse, dizia “Trabalhadores do Brasil, hoje vocês têm um amigo no governo, amanhã vocês serão o governo...” Nas ruas, o povo cantava a marchinha de grande sucesso “Bota o retrato do velho, bota no mesmo lugar...”

Mas aquela feliz relação governo-povo terminaria em tragédia. O criador da CSN, da Vale do Rio Doce, da Petrobras, teria o seu primeiro choque com o anti-trabalhismo quando o seu ministro do Trabalho, João Goulart, aumentou o salário mínimo em 100%. Veio o “Manifesto dos Coronéis” (que anos depois, em 1964, já seriam generais...), exigindo a destituição do ministro. Conciliador, Vargas aceitou a renúcia do ministro, porém manteve o aumento.... Com isso, as pressões do Capital através da imprensa foram crescendo... A pretexto de um inquérito policial-militar, decorrente da morte de um oficial da Aeronáutica, em 1954 veio a invasão militar do palacio, o desrespeito à autoridade presidencial, a articulação do golpe. Vargas, o grande presidente que colocava as questões de Estado acima da sua própria vida, joga com ela, se suicida, e com isso adia o golpe para 10 anos mais tarde.

Sempre sob ameaça de golpe das forças a serviço do Capital, tem lugar a eleição seguinte, em que João Goulart, o candidato dos trabalhadores, aceita a modesta condição de candidato a vice, mas é o grande propulsor da eleição do presidente Kubitschek. E de fato, na disputa com outro militar, o general Juarez Tavora, anti-trabalhista e favorável à cessão do petróleo à exploração americana, Kubitchek ganha folgado, mas com menos votos que o seu vice (na época os votos p/presidente e vice eram separados). O popular Kubitschek também enfrenta rebeliões militares, tentativas de golpe, sempre generosamente anistiando os revoltosos. E vê o seu candidato nas eleições seguintes, o general Lott, perder para Janio Quadros, que prometia moralizar “toda a corrupção” causada pelo presidente desenvolvimentista e tocador de obras. Mas Jango, o candidato dos trabalhadores, embora do lado oposto, também foi eleito com Janio...

Ganhando com promessas falsas, Janio se revela um fracasso no governo. Renuncia e compele as forças do Capital a novamente apelar para o golpe. Os militares se levantam contra a posse de Jango. Porém Brizola, governador do Rio Grande do Sul, outro campeão de votos, levanta o povo do seu estado através da “Cadeia da Legalidade”, que se alastra por todo o Brasil. Os parlamentares, em sua maior parte sempre mais sensíveis aos donos do Capital que aos anseios dos trabalhadores, decidem mudar o regime de presidencialista para parlamentarista, ou seja, Jango preside, porém quem governa é o parlamento... Conciliador, Jango aceita a limitação de poderes que lhe foi imposta.

O parlamentarismo foi um desastre, o presidente Jango convoca um plebiscito e o povo lhe restitui os poderes com mais de 90% dos votos. Porém os golpistas conspiravam e a vitória dos trabalhistas e progressistas nas eleições parlamentares seguintes convenceu os homens do capital que eleições só lhes trariam problemas. E veio o golpe final, em que, como diria Vargas, “aos grupos econômicos internacionais aliaram-se os grupos nacionais revoltados com o regime de segurança do trabalho....” A alegação desta vez apresentada, para um longuíssimo período de supressão das liberdades democráticas, foi que a democracia estava ameaçada.... pelos campeões do voto!

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